segunda-feira, 25 de junho de 2012

CERTO SIM...SEU ERRADO - escrito próprio

Não consigo fazer nenhum tipo de retrospecto da minha vida, ou mesmo do que eu sinto no presente momento, sem me referenciar a algum tipo de trilha sonora. A musica sempre me fez refletir, ou me identificar. Houve um tempo em que a trilha era a melancolia das musicas da Legião Urbana, que embora ainda permaneçam atuais para mim e em alguns momentos me identificar com elas, não são mais tão "descrição" do que acontece comigo, porém continuo fã incondicional.
Hoje me deparo com instantes em que consigo refletir sobre mim, aqueles momentos que sobram de um dia cheio, os quais muitas vezes eu escolho para abstrações, ócio puro e simples ou mais frequentemente usar a internet. De uns tempos pra cá ando carente de companhia, de amar e ser amado, de partilhar e de fazer amor mais de uma vez com uma mulher, relações fugazes e variadas é o sonho dos solteiros em geral, e é realmente muito interessante durante um tempo. Estou numa fase cuja a qual, aparentemente, está me exigindo um relacionamento mais longo e com perspectiva de durar, a "farra" não tem me animado tanto mais.
A musica do momento é: "Certo sim...seu errado", da Casa das Máquinas, banda, é claro, dos anos 80. Tenho me deparado que fazer o que normalmente pareceria o certo, está errado, tento fugir dos clichets prontos, do tipo "mulher gosta de cafageste" ou "bonzinho só se fode", por que me parece injusto com as mulheres, estaria cometendo um reducionismo obviamente machista e pouco inteligente. Mas no mínimo, tenho tipo muita pouca sorte!
As mulheres mais legais que tenho encontrado, tem claramente outros objetivos, por motivos variados e que não tem nada haver com os "clichets" acima. Mas fica uma sensasação muito estranha, e acaba reforçando minha solidão autoimposta, por mais contraditório que isso seja, em relação ao meu desejo.
Ando cansado de demonstrar e de me esforçar. Tomei uma decisão a muito tempo de que não mais representaria um personagem, e sim eu mesmo, do jeito que sou, e isso as vezes me preocupa, pois a sinceridade as vezes, no lugar de ser uma aliada, parece ser uma barreira, e é claro que isso me confunde, pois tenho clareza das minhas qualidades, mesmo sabendo de antemão meus defeitos, e chego a conclusão de que sou um homem "viável" (rsrsrs) para um relacionamento heterossexual, um romance, um namoro, enfim.
Estou cansado, e fico pensando, qual seria a melhor "jogada"? Fazer o que todos fazem, sair atirando por aí pra ver o que cái? Ou continuar no passo que estou, e continuar me decepcionando, me frustrando e me fechando?...Me entristecendo...
Complicado...Certo sim...seu errado!

sexta-feira, 18 de maio de 2012

O CHOQUE DA CONDESCENDÊNCIA PRECONCEITUOSA


Confesso que estou chocado!

Não estou chocado com os horrores anônimos que convivemos no dia a dia, esses infelizmente, apenas nos perturbam por alguns instantes, a vida nos exige o cotidiano e a rotina, e assim seguimos a diante depois de um resmungo ou dois.

Estou chocado com alguns dos meus mais próximos, com coisas que ouço, com coisas absurdamente inesperadas. São algumas surpreendentes desconstruções de imagem, que na verdade era um equívoco e que revelam facetas agudas, desconcertantes e que me deixam sem palavras, logo eu, falastrão que sou.

Assuntos como homofobia, xenofobia, “pelefobia”(?), que se transformam em baluartes, colunas, arrimos intransponíveis para ouvidos que antes pareciam ouvir pacientemente, refletir, debater com doçura, delicadeza e firmeza, repentinamente bloqueiam-se, aliena-se na forma mais pura e estéril, tal qual a tantas que sempre criticamos, e que eu permaneço criticando.

A homofobia é uma desgraça, um horror, traduzido na violência gratuita, nos assédios morais, no bullyng, no crime! A xenofobia e os preconceitos raciais, também.

Eu sou homem, heterossexual, brasileiro herdeiro de uma mistura racial maluca e maravilhosa, tenho a pele clara e sou do sul do Brasil. Também sou obeso. Cresci ouvindo piadas de gordos, de carecas, de gente que usa óculos, de gente que usa aparelho odontológico, de bichas, de negros, de loiras, de português, de argentino, de profissões, cursos, jeito de se vestir, de caipiras, etc. Uma infinidade de estereótipos. E em todos os meus 45 anos de vida, poucas vezes me irritei com piadas sobre mim ou sobre gordos.

Acho que a piada não faz mal nenhum e tampouco expressa sentimentos homo fóbicos, xenofóbicos, ou de preconceitos em geral. Tudo depende da conotação, a ofensa não está simplesmente na piada, está na intensão. Os sujeitos podem utilizar-se do maldito politicamente correto para evitar dizer piadas em público, mas as dizem nos seus círculos íntimos, hipócritas. E pior, podem aparentemente ser “politicamente corretos” no que se refere a piadas, mas não contratam o homossexual, o negro ou o gordo, para sua empresa, e se contrata persegue e/ou deixa perseguir com bullyng, permite o assédio moral. E outros ainda, cometem crimes mais graves e hediondos, agressões, espancamentos e assassinatos.

Uma piadinha de dois “bichinhas” como fazia o saudoso Costinha, tinha a intensão apenas de fazer graça, fazer rir, pois mesmos os animais mais circunspectos e favoráveis do maldito politicamente correto, concordarão que “bichinhas” meio “chiliquentas” aos olhos do observador, são muito engraçadas mesmo, pelo próprio jeito de serem, ou não são? E é apenas isso, são pessoas felizes da maneira que são, devem ser respeitadas, devem ser protegidas pela Lei, mas que são engraçados são.

Já piadas raciais podem ter um cunho mais pesado, uma conotação apenas preconceituosa, e essas nem de longe são engraçadas, mas existem piadas que são apenas engraçadas e não devem ofender. Qual a diferença de fazer piadas de judeus e de negros? Ambos os tipos são “raciais” ou étnicas, mas e daí? Por que a de negro o contador pode ir preso e a de judeu não? Por que a piada de português e de argentino é aceita e a de baiano, gaúcho, paulista, mineiro, etc. não?

Que existem hipocrisia e ignorância todos sabemos, mas isso pra mim está deixando de ser uma questão de caráter, estou me chocando com a possibilidade de ser uma doença silenciosa, maldita, esquisita, que pode aparecer do nada, desmontando discursos, desmoronando posturas, demonstrando uma superioridade contida que revela uma condescendência pra lá de preconceituosa.

Esse tal de politicamente correto, vende uma falsa postura de retidão, transformando a diversidade de opiniões (e talvez conseguindo) em uma homogeneização estéril, uma massa gosmenta sem cor e sem vida, onde brancos como eu, se acham “bonzinhos” ao se transformarem em estúpidos politicamente corretos.

Quer preconceito maior que esse?

Alnary Nunes Rocha Filho


sábado, 25 de fevereiro de 2012

MENSAGEM NADSAT - Para meus druguis

NADSAT é uma linguagem criada por Anthony Burgess, autor de Clockwork Orange, um dos maiores livros cults do século XX, que originou o filme de Stanley Kubrick.
No Brasil, Laranja Mecânica. A linguagem foi uma abstração e uma "viagem" de como seriam as gírias de gangs em algum momento num futuro inglês, o livro foi escrito em 1962. Vale a pena ler o livro e ver o filme, mas quem já assistiu ou leu o livro a mensagem abaixo fará mais sentido.
Alnary

Meus caros druguis,

Acho que vocês poderão ponear as slovos que aqui escrevo.

Eu quero skazatar pra vocês, oh! meus amados druguis! Que vou itiando buabuando de cansado. Cansado de robotar todo dia, videando que apenas consegui mais responsabilidade e menos tempo na minha jizna. Meus druguis, desapareceram, não govoreteiam mais comigo e nem me ligam mais, uma kal quase total.

O meu robotear é uma veshka muito horrorshow, e eu sou skotina no que faço, mas a tia pecúnia é pouca, as vezes me sinto um tanto shut, e existe uma shilarnia que eu tenho: Até quando, oh! Meus amados druguis! Minha rassodok vai aguentar isso. As vezes nem consigo colocar minha gúliver no poduska. Vocês podem até smekear, mas tenho itiando shilarniado, os projetos desse ano não saíram como o previsto, oh! Meus amados druguis!, não saíram não! E o ano de 2012 não se apresenta nada zamechati.

Ando cansado por que, eu tenho robotado, videado, com muito esforço, tentando um mesto melhor, mas muitas vezes tenho que contar com a semeadura de algum drugui, pois os meus esforços não são suficientes. Eu acho isso uma kal, mas o que fazer? Ponearam?

Um vekio drugui, algum tempo atrás nem respondeu meus e-mails, fiquei muito vreditado com isso, mas sei que ele é um vek horrorshow, já havia me ajudado outras vezes, dessa vez deve ter tido alguma kal pra resolver. Outro vekio drugui, muito horrorshow, me ajudou.

Mas meus amados druguis, chega de incomoda-los com essa kal, quero skazatar que estou no mesmo mesto e continuo seu drugui. Continuo o mesmo maltchik, apesar dos 45 anos, com malenk cortador, mas com grande coração.

Mesmo estando um tanto shilarniado com uma possível situação ujasni em 2012, continuo snitiando, e torcendo para sluchatar alguma coisa realmente horrorshow para este vekio drugui de vocês.

Mas confesso, as vezes me canso da bitva, e a odinokidão só me faz ter vontade de passar a britva no shia, mas ainda estou com a gúliver no lugar, então pego mais um câncer, e volto a jizna de sempre.

Apenas sinto falta de vocês velhos druguis, mesmo bugatis e com muito denjis, peço que não me esqueçam.

Saudações

Lilo

sábado, 4 de fevereiro de 2012

AMIGO É NÃO - escrito próprio


Amigos
Palavra de muitos significados
Incontáveis conotações

Ser amigo de uma mulher as vezes é tudo...
Mas as vezes é um muro intransponível
É bom, porém trás inevitáveis frustrações

Um coração que deseja ser mais que amigo
Sofre com a dualidade: amizade e paixão
Com a negação amiga às suas profundas intenções

Ser mais que amigo exige mais que o simples desejo
É necessário ser visto com outros olhos
Precisa da batida imponderável de dois corações

Assim, um simples amigo encontra-se na contra-mão
Sorri junto, chora sozinho, chora junto e sozinho não sorri
Está ali, como escudo mudo do seu amor, sem contestações

Ser só amigo é difícil, quando se quer um beijo
Ser só amigo é chato, quando se quer pegar na mão
Ser só amigo é complicado, quando se quer...

Ser só amigo, transforma a palavra amigo
Vira uma quase ofensa, uma quase agressão
Ser só amigo, transforma a palavra amigo, em não!

Alnary Filho

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

SEGREDOS, DESEJOS E POESIAS - escrito próprio



Os desejos do homem são seus segredos...

Os desejos do poeta são seus sinais para o mundo...

Os segredos do homem desejam ser descobertos...

Os segredos do poeta são publicados...


Para o poeta os desejos do homem são pueris...

Para o homem seus desejos vivem num lugar chamado medo...

Para o poeta é fácil escrever o seu amor...

Para o homem é insano falar do seu amor...


Os desejos do homem se traduzem nas várias mulheres que ama ou amou...

Os desejos do poeta se consomem em todas as mulheres da sua poesia...


Quando homem e poeta são o mesmo

Desejos e segredos se misturam...

O homem usa o poeta para superar seu medo...

O poeta usa o homem para se libertar...


Como homem e poeta

O amor me consome

O amor me liberta

O amor é segredo e desejo...


Como homem e poeta pretensioso

Meus segredos e desejos são...


Pornograficamente insanos por S...

Sexualmente amorosos por D...

Carinhosamente amigos por L...

Luxuriosamente fortes por M...

Eroticamente intensos por A...


No peito vazio do homem e do poeta

Tem um grito, uma vontade e uma verdade...


Os desejos e os segredos por elas são formas de amor

Amor que poderia se consolidar para sempre

Se durassem, poderiam acrescentar os demais componentes

Os componentes da receita perfeita da vida a dois...


Mas esse vazio também sabe

Que para as três primeiras não quer voltar...

Com M, sonha começar...

Com A, deseja recomeçar...


Se começar com M não voltará para A...

Se voltar com A não começará com M...


E nesse momento...

O homem e o poeta começam a sentir a possibilidade da solidão...

Percebem que seus desejos e segredos podem evaporar

Como o pingo d'água na fervura dos seus sonhos...


A distância, olham também para frente...

E desejam em segredo, que uma das duas os queira...

Ou que a vida lhes traga novas personagens e cores...

Afinal, desejos são segredos...

E... segredos não existem...


Alnary Filho - 11/01/2012

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

DOMINGO MEU - pretenso poema


Num domingo qualquer...

Meu corpo deixar a cama não quer

Talvez para não me deixar encarar a verdade

A verdade do domingo que não deixo de ter...


A verdade de um domingo qualquer...

Escondida na quase esquecida tarde...

Minha mente briga para não reconhecer

Que essa, quase todo domingo tenho de ver


Raro domingo de qualquer alegria...

Bom domingo de escassa paz verdadeira...

Saudoso domingo da vida que tinha...

Querido domingo de cena passageira...


Mais um domingo...

Mais um domingo de saudades incontidas...

De fome da alma

E de lágrimas perdidas...


Alnary Filho

21/11/2011

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

CRISE CULTURAL À BRASILEIRA - Texto Próprio

Não, não vou falar diretamente sobre crise econômica, desemprego, saúde pública, educação, pelo menos não no sentido de reivindicação legítima e urgente da população brasileira. Quero abordar um ângulo que, embora perpasse tudo isso, não tem tido acrítica aguda que necessita, e vou tentar fazer isso nas próximas linhas.

Muitos tem acompanhado a mais nova polêmica da agenda da indústria do entretenimento, o afastamento de um tal Rafinha Bastos do programa semanal da Rede Bandeirantes, CQC, por que ele disse outra das suas frases pseudo humorísticas, e há quem o defenda, baseando os argumentos em: “liberdade de expressão”, “não se pode limitar o humor”, ou outra argumentação parecida. A BAND o afastou para apenas “castiga-lo”, querendo dizer o seguinte: “você até poderia dizer que comeria a Wanessa, mas que comeria o bebê dela não!”. Pois, se a BAND realmente estivesse interessada no respeito, na ética e no humor de qualidade, o teria demitido por justa causa. Mas, e o medo da concorrência? Aí usou a velha tática da “geladeira”, parece que não deu certo, o funcionário pediu demissão e o empregador voltou atrás, tentando segurar o pseudo artista. Não que exista muita qualidade no trabalho de Wanessa Camargo, mas aí não era piada com o seu trabalho, é a tentativa de parecer engraçado com uma falta de respeito a pessoa humana.

Essa“polêmica”, é mais uma artimanha na construção de uma indústria artificial de entretenimento, cujo qual é de baixíssima qualidade, que além de não contribuir para a Cultura Brasileira, ajuda a sepultar o que resta de melhor dela.

O Brasil perdeu ontem um dos seus maiores atores, um artista do humor, o espetacular José Vasconcelos, e apenas o “burguesão metido abesta” do Jô Soares fez uma homenagem a ele. Enquanto isso os sites “bombam” com notícias sobre um sujeito que surgiu ontem, que no começo demonstrou algum talento, mas que hoje “se acha a ultima bolacha do pacote”, e com isso quer impor um humor baseado na total falta de respeito com as pessoas, com piadas gratuitas e forçadas, que só é engraçado para os débeis mentais, pseudo piadas que apenas pretendem chocar as pessoas e não fazê-las rir realmente.

E assim é a mesma coisa com relação a musica, todos sabem que a MPB de alta qualidade, assim como a musica internacional de qualidade, estão banidas das rádios brasileiras, a indústria baseada na falta de discernimento e de educação, da maioria da população brasileira, impõe uma série de porcarias as pessoas, que não podem escolher, afinal todas as rádios hoje são praticamente iguais, raríssimas são as diferentes, rádios universitárias, culturais, comunitáriase até algumas piratas.

Inventam rótulos para conquistar parcelas da população preconceituosas, como é o caso da musica sertaneja, que foi estrupada, desfigurada e por fim assassinada, com o surgimento de pseudo artistas fabricados, moldados ao gosto de alguns pseudos universitários, estou falando do rótulo idiota Sertanejo Universitário, percebem a indecência? A grande Moda de Viola e a Musica Sertaneja de Raiz foi destruída para poder ser criado um modo de vender porcaria para uma classe que tinha “vergonha” de escutar e difundir uma musica autêntica e de raiz popular, a mesma coisa é feita com o tal de funk de morro, apelativo, pornográfico e pervertido. Como também ao tal de RAP, uma perversão e uma aculturação das manifestações jovens e popularares, o que tinha de qualidade nisso foi destruído, para vender porcaria sem sentido para jovens pobres e sem escolha. Quando vejo pobres meninos, oriundos de favelas, vestidos com roupas de palhaço ostentando números de uniformes de jogadores de futebol americano, com cores, cabelos, e acessórios, que mais parecem que vão a alguma festa de fantasias no “inferno”, fico indignado, pois isso é o que vem à tona da mentira que se conta a eles de que é legal isso, de que assim passam a fazer parte de uma “tribo”, etc. Pobres diabos!

A Crise Cultural pela qual passamos é causada pelo consumismo desenfreado, pelo modismo, pela prática do descarte, pelo capitalismo que impõe a rapidez, que constrói e destrói com velocidade, modas, produtos e vidas.

E isso é o reflexo da falta de Estado, da falta de políticas públicas efetivas na Educação, no laser, na Cultura institucional que não protege a cultura popular, que é subserviente ao mercado, aos interesses do capital e dos que nem ao menos se divertem no Brasil, vivem nos salões da Europa ou Estados Unidos, e transformam acultura brasileira na latrina do mundo.

Enquanto isso, nós perdemos tempo com gente como Rafinha Bastos, indo ao show do Justin Beaber e ao Rock in Merda Rio.

Que coisa!

Alnary Nunes Rocha Filho
12/10/2011