quinta-feira, 16 de junho de 2011

LIBERDADE DE EXPRESSÃO - Texto Próprio



Ontem, dia 15/06/2011, todos os meios de comunicação noticiaram a decisão do STF sobre a dita “Marcha da Maconha”. Sabiamente o STF reconheceu que os manifestantes tinham o direito, previsto na Constituição, de expressar suas idéias livremente. É claro, os que são contra a liberação da droga são muitos, mas também há vários a favor, é uma questão polêmica e o assunto realmente deve ser debatido com a sociedade, e uma das maneiras de colocar o assunto na pauta de discussões, são as manifestações populares, tanto a favor como contra.

É por isso que acho contraditório a tentativa de se criar um PL – Projeto de Lei – que criminaliza as livres expressões de quem não gosta de homossexualismo, de quem é contra o casamento gay, enfim.

A liberdade de expressão preservada pelo STF no caso das manifestações a favor da descriminalização da maconha, deveria ser preservada também para as manifestações de todos que são contra as uniões gays, que são contra a adoção de crianças por casais gays, as manifestações religiosas, para as quais o homossexualismo é pecado, respeitando assim a fé e a religião de uma grande parcela da população, entre outras manifestações.

É preciso separar o que é homofobia, do que é expressão de pensamento, os gays tem uma causa nobre contra a violência, contra a segregação e o preconceito. Porém, tem também de aceitar os que pensam diferente deles, isso chama-se TOLERÂNCIA, e é, como são as coisas equilibradas e de consenso inteligente, via de mão dupla.

A intolerância gay, contra quem pensa diferente deles, não pode ser transformada em Lei, isso é um absurdo! A liberdade de expressão é maior garantia de um País democrático, praticamente a única.

É preciso prender, julgar e punir os que cometem qualquer tipo de violência contra quem quer que seja, sejam gays, negros, mulheres, crianças, idosos...Mas, uma piada não viola ninguém, uma expressão de pensamento diferente também não. Piadas “ofendem” tanto os negros, como os gays, loiras, mulheres, gordos como eu, carecas, dentuços, portadores de deficiência, e tantos outros “diferentes”, e me parece muito injusto que queiram cadeia pra quem faz piada de gay ou de negro, deveria então por na cadeia todo mundo, inclusive para os que me chamam de rolha de poço, baleia, etc.

Ora, digamos não ao maldito “politicamente correto”, e os gays que vivam sua vida, sejam felizes, os negros também, e chega de querer prender todo mundo que não gosta de “viado” ou de “preto”, isso é um direito, e tem limite na Lei, o que é mais que suficiente.

domingo, 1 de maio de 2011

CUIDADO COM OS BURROS MOTIVADOS - Entrevista com Roberto Shinyashiki

Recebi por e-mail esta entrevista, quem me enviou foi meu colega Prof. João Paulo Camargo, de Ponta Grossa-Pr. Achei muito interessante, até por que existe uma coisa que há muito me interessa discutir, que é a questão que implica no consumo de símbulos, os tais "símbulos de status", e supervalorização de algumas profissões, como médicos por exemplo e o menosprezo a profissões tão importantes quanto, como por exemplo, os professores. Além, do velho preconceito sobre profissões fundamentais como os dos agentes ambientais (catadores, garis, etc.) e dos trabalhodores de serviços gerais e de limpeza, enfim...O sucesso é medido dentro de valores capitalistas, no velho embate "naturalizado" do Winner x Loser...esta entrevista é mais que um alerta, é uma crítica para refletirmos...

Foto: Filme - O Diabo veste Prada

A revista ISTO É publicou esta entrevista de Camilo Vannuchi. O entrevistado é Roberto Shinyashiki, médico psiquiatra, com Pós-Graduação em administração de empresas pela USP, consultor organizacional e conferencista de renome nacional e internacional. Em 'Heróis de Verdade', o escritor combate a supervalorização das aparências, diz que falta ao Brasil competência, e não auto-estima.

ISTO É - Quem são os heróis de verdade?

Roberto Shinyashiki - Nossa sociedade ensina que, para ser uma pessoa de sucesso, você precisa ser diretor de uma multinacional, ter carro importado, viajar de primeira classe. O mundo define que poucas pessoas deram certo. Isso é uma loucura. Para cada diretor de empresa, há milhares de funcionários que não chegaram a ser gerentes. E essas pessoas são tratadas como uma multidão de fracassados. Quando olha para a própria vida, a maioria se convence de que não valeu à pena, porque não conseguiu ter o carro, nem a casa maravilhosa. Para mim, é importante que o filho da moça que trabalha na minha casa, possa se orgulhar da mãe. O mundo precisa de pessoas mais simples e transparentes. Heróis de verdade são aqueles que trabalham para realizar seus projetos de vida, e não para impressionar os outros. São pessoas que sabem pedir desculpas e admitiram que erraram.

ISTO É -O Sr. citaria exemplos?

Shinyashiki - Quando eu nasci, minha mãe era empregada doméstica e meu pai, órfão aos sete anos, empregado em uma farmácia. Morávamos em um bairro miserável em São Vicente (SP) chamado Vila Margarida. Eles são meus heróis. Conseguiram criar seus quatro filhos, que hoje estão bem. Acho lindo quando o Cafu põe uma camisa em que está escrito '100% Jardim Irene'. É pena que a maior parte das pessoas esconda suas raízes. O resultado é um mundo vítima da depressão, doença que acomete hoje 10% da população americana. Em países como o Japão, a Suécia e a Noruega, há mais suicídio do que homicídio. Por que tanta gente se mata? Parte da culpa está na depressão das aparências, que acomete a mulher, que embora não ame mais o marido, mantém o casamento, ou o homem que passa décadas em um emprego, que não o faz se sentir realizado, mas o faz se sentir seguro.

ISTO É - Qual o resultado disso?

Shinyashiki - Paranóia e depressão cada vez mais precoce. O pai quer preparar o filho para o futuro e mete o menino em aulas de inglês, informática e mandarim. Aos nove ou dez anos a depressão aparece. A única coisa que prepara uma criança para o futuro, é ela poder ser criança. Com a desculpa de prepará-los para o futuro, os malucos dos pais estão roubando a infância dos filhos. Essas crianças serão adultos inseguros e terão discursos hipócritas. Aliás, a hipocrisia já predomina no mundo corporativo.

ISTO É - Por quê?

Shinyashiki - O mundo corporativo virou um mundo de faz-de-conta, a começar pelo processo de recrutamento. É contratado o sujeito com mais marketing pessoal. As corporações valorizam mais a auto-estima do que a competência. Sou presidente da Editora Gente e entrevistei uma moça que respondia todas as minhas perguntas com uma ou duas palavras. Disse que ela não parecia demonstrar interesse. Ela me respondeu estar muito interessada, mas como falava pouco, pediu que eu pesasse o desempenho dela, e não a conversa. Até porque ela era candidata a um emprego na contabilidade, e não de relações públicas. Contratei-a na hora. Num processo clássico de seleção, ela não passaria da primeira etapa.

ISTO É - Há um script estabelecido?

Shinyashiki - Sim. Quer ver uma pergunta estúpida feita por um presidente de multinacional no programa 'O Aprendiz'?

- Qual é seu defeito?

Todos respondem que o defeito é não pensar na vida pessoal:

- Eu mergulho de cabeça na empresa. Preciso aprender a relaxar.

É exatamente o que o Chefe quer escutar. Por que você acha que nunca alguém respondeu ser desorganizado ou esquecido? É contratado quem é bom em conversar, em fingir. Da mesma forma, na maioria das vezes, são promovidos aqueles que fazem o jogo do poder. O vice-presidente de uma as maiores empresas do planeta me disse: 'Sabe, Roberto, ninguém chega à vice-presidência sem mentir'. Isso significa que quem fala a verdade não chega a diretor!

ISTO É - Temos um modelo de gestão que premia pessoas mal preparadas?

Shinyashiki - Ele cria pessoas arrogantes, que não têm a humildade de se preparar, que não têm capacidade de ler um livro até o fim e não se preocupam com o conhecimento. Muitas equipes precisam de motivação, mas o maior problema no Brasil é competência. Cuidado com os burros motivados. Há muita gente motivada fazendo besteira. Não adianta você assumir uma função, para a qual não está preparado. Fui cirurgião e me orgulho de nunca um paciente ter morrido na minha mão. Mas tenho a humildade de reconhecer que isso nunca aconteceu graças a meus chefes, que foram sábios em não me dar um caso, para o qual eu não estava preparado. Hoje, o garoto sai da faculdade achando que sabe fazer uma neurocirurgia. O Brasil se tornou incompetente e não acordou para isso.

ISTO É - Está sobrando auto-estima?

Shinyashiki - Falta às pessoas a verdadeira auto-estima. Se eu preciso que os outros digam que sou o melhor, minha auto-estima está baixa. Antes, o ter conseguia substituir o ser. O cara mal-educado dava uma gorjeta alta para conquistar o respeito do garçom. Hoje, como as pessoas não conseguem nem ser, nem ter, o objetivo de vida se tornou parecer. As pessoas parecem que sabem, parece que fazem, parece que acreditam. E poucos são humildes para confessar que não sabem. Há muitas mulheres solitárias no Brasil, que preferem dizer que é melhor assim. Embora a auto-estima esteja baixa, fazem pose de que está tudo bem.

ISTO É -Por que nos deixamos levar por essa necessidade de sermos perfeitos em tudo e de valorizar a aparência?

Shinyashiki -Isso vem do vazio que sentimos. A gente continua valorizando os heróis. Quem vai salvar o Brasil? O Lula. Quem vai salvar o time? O técnico. Quem vai salvar meu casamento? O terapeuta. O problema é que eles não vão salvar nada! Tive um professor de filosofia que dizia: 'Quando você quiser entender a essência do ser humano, imagine a rainha Elizabeth com uma crise de diarréia durante um jantar no Palácio de Buckingham'. Pode parecer incrível, mas a rainha Elizabeth também tem diarréia. Ela certamente já teve dor de dente, já chorou de tristeza, já fez coisas que não deram certo. A gente tem de parar de procurar super-heróis, porque se o super-herói não segura a onda, todo mundo o considera um fracassado.

ISTO É - O conceito muda quando a expectativa não se comprova?

Shinyashiki - Exatamente. A gente não é super-herói nem superfracassado. A gente acerta, erra, tem dias de alegria e dias de tristeza. Não há nada de errado nisso. Hoje, as pessoas estão questionando o Lula, em parte porque acreditavam que ele fosse mudar suas vidas e se decepcionaram. A crise será positiva se elas entenderem que a responsabilidade pela própria vida é delas.

ISTO É - Muitas pessoas acham que é fácil para o Roberto Shinyashiki dizer essas coisas, já que ele é bem-sucedido. O senhor tem defeitos?

Shinyashiki -Tenho minhas angústias e inseguranças. Mas aceitá-las faz minha vida fluir facilmente. Há várias coisas que eu queria e não consegui. Jogar na Seleção Brasileira, tocar nos Beatles (risos). Meu filho mais velho nasceu com uma doença cerebral e hoje tem 25 anos. Com uma criança especial, eu aprendi que, ou eu a amo do jeito que ela é, ou vou massacrá-la o resto da vida para ser o filho que eu gostaria que fosse. Quando olho para trás, vejo que 60% das coisas que fiz deram certo. O resto foram apostas e erros.

Dia desses apostei na edição de um livro, que não deu certo. Um amigão me perguntou: 'Quem decidiu publicar esse livro?' Eu respondi que tinha sido eu. O erro foi meu. Não preciso mentir.

ISTO É - Como as pessoas podem se livrar dessa tirania da aparência?

Shinyashiki - O primeiro passo é pensar nas coisas que fazem as pessoas cederem a essa tirania e tentar evitá-las. São três fraquezas: A primeira é precisar de aplauso, a segunda é precisar se sentir amada e a terceira é buscar segurança. Os Beatles foram recusados por gravadoras e nem por isso desistiram. Hoje, o erro das escolas de música é definir o estilo do aluno. Elas ensinam a tocar como o Steve Vai, o B. B. King ou o Keith Richards.

Os MBAs têm o mesmo problema: ensinam os alunos a serem covers do Bill Gates. O que as escolas deveriam fazer é ajudar o aluno a desenvolver suas próprias potencialidades.

ISTO É - Muitas pessoas têm buscado sonhos que não são seus?

Shinyashiki - A sociedade quer definir o que é certo. São quatro loucuras da sociedade... A primeira é instituir que todos têm de ter sucesso, como se eles não tivessem significados individuais. A segunda loucura é: Você tem de estar feliz todos os dias. A terceira é: Você tem que comprar tudo o que puder. O resultado é esse consumismo absurdo. Por fim, a quarta loucura: Você tem de fazer as coisas do jeito certo. Jeito certo não existe. Não há um caminho único para se fazer as coisas.

As metas são interessantes para o sucesso, mas não para a felicidade. Felicidade não é uma meta, mas um estado de espírito. Tem gente que diz que não será feliz, enquanto não casar, enquanto outros se dizem infelizes justamente por causa do casamento. Você pode ser feliz tomando sorvete, ficando em casa com a família ou com amigos verdadeiros, levando os filhos para brincar ou indo à praia ou ao cinema. Quando era recém-formado em São Paulo, trabalhei em um hospital de pacientes terminais. Todos os dias morriam nove ou dez pacientes. Eu sempre procurei conversar com eles na hora da morte. A maior parte pega o médico pela camisa e diz: 'Doutor, não me deixe morrer. Eu me sacrifiquei à vida inteira, agora eu quero aproveitá-la e ser feliz'. Eu sentia uma dor enorme por não poder fazer nada. Ali eu aprendi que a felicidade é feita de coisas pequenas. Ninguém na hora da morte diz se arrepender por não ter aplicado o dinheiro em imóveis ou ações, mas sim de ter esperado muito tempo ou perdido várias oportunidades para aproveitar a vida.

segunda-feira, 14 de março de 2011

MUNDO DESIGUAL E MORALMENTE CORRUPTO - fragmento de Mino Carta


Aposentados os princípios mais nobres e as regras mais comezinhas da competição leal, a acumulação passou definitivamente a ser o objetivo dos mais fortes. Acumulação de dinheiro em primeiro lugar. Nominor quoniam leo, diz o leão, mas é o rei da selva e da pradaria. Nunca a lei da mata valeu para o bicho homem com força tamanha e nunca como hoje o chamado vil metal foi tão decisivo para o destino da Terra e de cada ser humano.

O dinheiro, e a febre que provoca, está por trás de tudo, desde os mercados até os parlamentos, desde as galerias de arte até os gramados de futebol. Vale, o ducado, o sestércio, o florim, para manipular a trajetória de uma ação da Bolsa ou valorizar o artista que não merece, em detrimento da qualidade de quanto os donos do poder declamam promover. E os heróis do momento chamam-se Bernanke, Summers, Greenspan, Paulson, monumentais executores do neoliberalismo. Seguidos por uma plêiade de excelentes discípulos.Vale acrescentar outros. Por exemplo, Ronald Reagan, a senhora Thatcher, Bill Clinton, a família Bush. E por que não Tony Blair e Silvio Berlusconi? Tentado pela iconoclastia, chego até o papa, que esconde enquanto pode os padres pedófilos e abriga dentro dos muros vaticanos o IOR, o banco que lava grana mafiosa.

É por causa disso também que escasseiam pensadores, poetas e artistas, a bem da glória tilintante de uma chusma de impostores. Não teriam de ser indispensáveis óculos especiais para enxergar a decadência do mundo. Razões há, só encontram resposta, contudo, na versão atual da lei da selva.

A única nota positiva, o único sinal de esperança, vem da nação árabe, expandida entre o Magreb e o Oriente Médio. Em nome de interesses movidos a grana, o Ocidente insistiu na tese do conflito entre islamismo e cristianismo já em andamento, enquanto os EUA esmeravam-se na peculiar retórica pela qual seu exército estaria a serviço da democracia, a ser finalmente ensinada aos conquistados.

A hipocrisia não tem limites. Em compensação, os povos que se levantam no Norte da África não se envolvem em guerras de religião, querem é livrar-se dos seus tiranos, sátrapas, de fato, da formidável estrutura ocidental e cristã, situada a Oeste, certamente, e nem de leve cristã. O destino da rebelião é incerto, verifica-se de todo modo que ainda há homens sequiosos de liberdade. Este enredo evoca outro, a meu ver, aquele tecido por quem entende que o tempo das ideologias acabou, como se fosse possível eliminar da mente humana a eterna dicotomia: deus e diabo, luz e sombra.

Os adeptos da ideia pensavam exclusivamente no marxismo-leninismo, mas já manifestavam ao expô-la, incauta e toscamente, a sua própria ideologia, pela qual, com a queda do Muro de Berlim, celebrava-se o enterro da esquerda. De certa esquerda, talvez. De uma específica visão do mundo e da vida, vencida ao provar seu fracasso e seu anacronismo. De minha parte, fico com Norberto Bobbio:

- O significado das palavras está sempre sujeito à interpretação, necessariamente volúvel. Quem ainda se indigna, porém, com a desigualdade, com a miséria da maioria, com a prepotência do mais forte, e se empenha contra a injustiça, chamem-no como quiserem, mas ele é o exato contrário do partidário do deixa como está porque assim me convém. Se disserem que aquele é de esquerda, não me queixarei.

MINO CARTA

Eu também! Alnary Rocha

sábado, 5 de março de 2011

O PRAZER DO PRAZER - pretenso poema



Olhando a explosão de seu rosto

Naquele exato instante posto

É sublime para o meu gosto, e me emudece...


Mas o contorcer e o desfigurar, formam apenas a imagem

O mais prazeroso é sentir, de dentro, a fantástica viagem

Seu corpo todo estremece, e me entorpece...


Há o som dos seus lábios apertados num quase assovio

Penetrando nos meus ouvidos, como quem nunca ouviu

Sua boca linda fornece, e me estremece...


A sua linda viagem ao clímax do prazer

E eu ali, sendo o seu veículo, junto a fazer

Ver e sentir seu profundo gozo, me enlouquece...


Alnary Rocha

05/03/2011

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A CHUVA - pretenso poema




Chove, venta, molha

As lágrimas dos céus parecem já lamentar

O estrago que farão ao chegar


Lágrimas finas lamentam chuvas passadas

Lágrimas grossas, primeiro chegam e depois lavam tudo

Levam tudo em suas aguadas


É tempo de chuva larga

É preciso cuidar para não chorar também

O nosso lamento pelo que a chuva estraga


Mas a chuva que destrói sonhos

É a mesma que os constrói

Fertiliza a terra e põe a girar moinhos


As chuvas e as lágrimas

Tão profunda natureza

Consegue reunir nas gotas o perigo e a beleza


Chuva


Alnary Filho - 25/02/2011

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

NUNESROCHARADA – I ENCONTRO ANUAL DA FAMÍLIA NUNES ROCHA




















A Família Nunes Rocha que se encontrou é composta por 94 membros, entre filhos, noras, netos, bisnetos e tataranetos de Alcides da Silva Rocha e Anna Ryta Nunes Rocha, meus avós, Vô Rochinha e Vó Lilita.

Estiveram presentes exatamente a metade deles, 47, a outra metade, por diversos e compreensíveis motivos não puderam comparecer, mas prometeram que no próximo encontro virão.

É preciso ressaltar que estamos espalhados por alguns Estados e Cidades brasileiras, entre as Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, assim, alguns realmente não puderam organizar suas agendas a tempo, bem como, surgiram imprevistos de última hora.

O NUNESROCHARADA como apelidamos o Evento, aconteceu no dia 05/02/2011 na sede campestre do Clube Ponta Lagoa em Ponta Grossa-Pr., foi marcado pela fraternidade, o carinho e a vontade de estar perto. Alguns não se viam a pelo menos 20 anos, alguns a mais tempo, outros nem se conheciam pessoalmente, principalmente os mais novos. Eu conheci priminhos que só havia visto em fotos, revi primos e tios que não via desde os tempos de criança, e o mais incrível e notável é que conversamos como se tivéssemos nos visto na semana anterior, foi um encontro intenso e emocionante. Ao contrário do que imaginei, ninguém chorou ou quase não chorou, foi acima de tudo muito divertido e com grande gastronomia.

Agora estamos esperando e planejando o II NUNESROCHARADA.


Fotos:


1 - (esquerda) Primos: Ana Rita, Cíntia, Fabiano, Rafael, Lilo, Fabio, Eduardo, Roberto, Gilberto, Denyse, Mauro, Lilian, Sheila, Marcia, Ana Maria, Daysi e Cristiane.

2 - (direita) Quase todo mundo.

3 - (esquerda) Tio Horácio, Tia Edeni, Tio Nezo, Tio Vadinho, Tio Leleco, Tio Tom e Tio Ivan.

4 - (direita) Tia Mirian, Tia Inês, Tia Soeli, Tia Edeni, Tia Lindamir, Tia Donaide e Tia Loremi.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

ESCRITO EM PROSA DE ADEUS - Anna Ryta Nunes Rocha


Esse lindo texto, escrito em 1920, pela minha querida avó, Lilita, quando ainda solteira, mostra que a aptidão de muitos de seus descendentes para as letras, de uma forma ou de outra, vem do sangue, vem também da marca dessa mulher fabulosa e extremamente carinhosa, que foi pra um lugar muito especial em 1982.

Alnary Rocha


Lembro-me como se fosse hoje: a manhã floria, num desabrocho esplêndido, quando saltei do leito naquele dia remoto.

Corri e contemplei-a, num doce embevecimento.

A luz ria, a luz cantava, num triunfo glorioso, sobre os horizontes...E o ar parecia de veludo, macio e suave, tão suave como uma carícia!

Nunca mais poderei esquecer a música sonora das aves, que tinham revôos bruscos, num desvairamento de asas...

As laranjeiras, como noivas felizes, toucadas pelo esplendor das flores, pareciam envoltas em túnicas de neve e trescalavam, embalsamando os ares, o aroma inefável das suas guirlandas níveas...

As gotas de orvalho, tombando-lhes cristalinas e puras caindo sobre um túmulo querido.

Mas, apesar da beleza universal das cousas, como tudo era triste, para mim...na vitalidade heróica da manhã! O vento leve, num sussurro melífluo, arrebatava as pétalas das rosas rescendentes, como se as conduzisse para a tua amada sepultura.

O azul do céu sorria para a vida triunfante da terra, mas dir-se-ia ter bênçãos principalmente para os mortos...

Na sua olímpica formosura, era como uma ironia sardônica para quem perdera os carinhos preciosos do melhor dos pais, como a eu me sucedera.

Súbito, numa evocação involuntária e nítida, desenhou-se-me ante os olhos a tua imagem tutelar, ungida da bondade que te era inerente, amorosa e calma, como se houveras regressado do Eterno Reino, entre fundos suspiros, os olhos se me enevoaram de lágrimas, toda empolgada pelo mistério da saudade, lancinante e imensa, paizinho, de quando te encontravas ao meu lado, afetuoso como um amigo e assisado como um mestre...E já quantos anos são decorridos!

Ao ver esfumar-se em meus devaneios o teu vulto amigo, orei, contrita, cabisbaixa, por momentos, e reconfortada voltei para casa.

Adeus, paizinho. Espero que nos encontremos algum dia lá onde hoje repousas, para fruirmos a ventura de perpétuo convívio.

Certo de que nunca deixarás de velar sobre a tua pobre filhinha, entre os rudes espinheiros da terra, ela que tudo faz para merecer-te o amor, abraça-te e beija-te carinhosamente.

Teixeira Soares, 13 de setembro de 1920.

LILITA NUNES