terça-feira, 15 de maio de 2007

SABER-SE HUMANO - pretenso poema


Saber-se humano
Olhar no espelho e ver-se carne
Olhar para dentro de si e ver-se eterno

Saber-se humano
Olhar para o lado ver-se irmão
Olhar para frente e ver-se incerto

Saber-se humano
Ter certeza da imperfeição
Ter consciência da solidão

Saber-se humano
Valorizar os sonhos
Enfrentar os medos

Saber-se humano
Perceber o sentimento
Amar alguém

Saber-se humano
Olhar o mundo a sua volta
Olhar novamente para o lado e...

Sentir amor...


Alnary Filho
15/10/2006

O QUASE - Luis Fernando Veríssimo


Ainda pior que a convicção do não é a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase.É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono. Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

LUIZ FERNANDO VERÍSSIMO

PRA ISABELLA - escrito próprio


Irmã

Você tem um jeito só seu
Coisas que só você tem, além da sua beleza
Mulher, guerreira e persistente
Coisas que Deus te deu
Amor e luta materna com certeza

De menina, a responsabilidade
De mulher, a fidelidade
De mãe, o amor e a coragem
Dos pais, os valores e a moralidade
Da vida, o aprendizado e a realidade

E você é minha mãe e irmã
Meu socorro, ombro do meu choro e colo do meu riso
Você muitas vezes é a voz, que ouvir eu preciso
Desviando das próprias tormentas, você, as minhas alivia
Meu porto seguro e minhas lembranças de manhã

Isabella, a minha incomparável e adorada irmã!

Alnary Rocha
26/01/2007

SOBRE O ÓCIO - Bertrand Russel


Russel acredita que os momentos de despreocupação e diversão são especialmente importantes na educação dos jovens. Sem eles, as crianças se tornam apáticas, infelizes e destrutivas e perdem o gosto por objetivos mais amplos e profundos. Oportunidades contínuas de auto-expressão são igualmente importantes para a população adulta, pois permitem ao indivíduo avaliar a qualidade de sua experiência, bem como o valor do próprio conhecimento. O ócio proporciona a apreciação do valor intrínseco do conhecimento.
Para a maioria das pessoas, esse tipo de experiência, o ócio, não é uma opção realista à sua disposição. Elas não têm tempo nem dinheiro para estar por aí em busca de conhecimento “inútil”. São prisioneiras daquilo que Russel chama de “o culto da eficiência”, que só valoriza o conhecimento pelos benefícios econômicos e pelo aumento do poder sobre as outras pessoas que ele pode proporcionar. Os felizardos que têm recursos para o ócio tendem a desprezá-lo em favor de um gênero de “ação enérgica” que gera um controle ainda maior, mas pouco ou nenhum entendimento ou reflexão acerca dos objetivos mais amplos da vida. Russel considera nociva esta visão “instrumental” do conhecimento, pois ela só dá valor às suas conseqüências, não às suas razões subjacentes. Conseqüentemente, a riqueza e o poder são tidos em alta conta, ao passo que o ócio e o conhecimento contemplativo são considerados apenas como dispersão inútil.
A solução proposta por Russel para esse problema, considera que o ócio poderia ser hoje acessível a toda a população, se o trabalho passasse por uma reestruturação baseada nas possibilidades abertas pelos modernos métodos de produção. Além de desejável, o ócio é um estado ao qual a maioria das pessoas poderia ter acesso, bastando que fosse mais valorizado do que as ocupações produtivas, largamente instrumentais, de que é feita a jornada de trabalho. A tecnologia moderna possibilita uma jornada de trabalho de quatro horas diárias, sem redução de salários e sem extinção de postos de trabalho. Uma vez libertos da tirania do trabalho, homens e mulheres poderiam ser livres para se dedicarem a atividades de seu exclusivo interesse. Mesmo admitindo-se que alguns iriam usar esse tempo livre para ganhar mais dinheiro e aumentar seu poder sobre os demais, acredita que essa tendência seria contrabalançada pelo numero ainda maior de pessoas que optariam por atividades mais reflexivas, ou pelo engajamento em diversos tipos de trabalho comunitário.
Para Russel, o trabalho não é o objetivo da vida. Se fosse, as pessoas gostariam de trabalhar. No entanto, aqueles que de fato executam o trabalho evitam-no sempre que possível. Os únicos que alardeiam as suas virtudes são as pessoas em posição de comandar o trabalho alheio. Se o ócio, a diversão e o desfrute do conhecimento contemplativo fossem valorizados por si mesmos, as propostas de reforma de Russel poderiam ser instituídas e seu propósito é lutar por um mundo em que todas as pessoas possam se engajar livremente na busca de atividades “agradáveis, compensadoras e interessantes”.
Em nossa sociedade, o indivíduo trabalha pelo lucro, mas a finalidade social do seu trabalho reside no consumo daquilo que ele produz. A separação dos fins individuais e os fins sociais da produção é que torna tão difícil pensarmos com clareza num mundo em que a busca do lucro constituí o único incentivo ao trabalho. Pensamos demais na produção e de menos no consumo. Por isso acabamos dando pouca importância ao desfrute e à felicidade e deixamos de avaliar a produção pela satisfação que ela proporciona ao consumidor.
Num mundo em que ninguém tenha de trabalhar mais de quatro horas diárias, todas as pessoas poderão saciar a curiosidade científica que carregam dentro de si. Acima de tudo haverá felicidade e alegria de viver, em vez de nervos em frangalhos, fatiga e má digestão. O trabalho exigido será suficiente para tornar agradável o lazer, mas não levará ninguém a exaustão. E como não estarão cansadas nas horas de folga, as pessoas buscarão diversões mais participativas e menos passivas ou monótonas. Homens e mulheres comuns, tendo chance de viverem vidas felizes, se tornarão mais afáveis e menos desconfiados. O gosto pela guerra desaparecerá, em parte por esse motivo, em parte porque a guerra implicará trabalho longo e penoso para todos. Dentre todas as qualidades morais, a boa índole é aquela que o mundo mais precisa, e ela é o resultado da segurança e do bem-estar, não de uma vida de luta feroz.
A possibilidade existe, mas apesar disso, continuamos preferindo o sobretrabalho para alguns e a penúria para os demais. Ainda somos tão energéticos quanto éramos antes de existirem as máquinas. Nesse aspecto, temos sido tolos, mas não há razão para sermos tolos sempre.
“A idéia de que as atividades desejáveis são aquelas que dão lucro constitui uma completa inversão da ordem das coisas.”

Compilado da Obra:
RUSSEL, Bertrand. O Elogio ao Ócio. 3.ed. Sextante, Rio de Janeiro, 2002.

MEUS FILHOS - escrito próprio


Ramayana e Emmanuel são meus filhos.
Acho que a única coisa realmente boa e que marca a minha passagem por essa vida, foi ter tido esses dois magníficos filhos. Neles espero que tenham ficado a pequena parte boa do que eu sou, do que ficou em mim dos meus pais. Eles são inteligentes, estudiosos, tem um futuro lindo e prospero pela frente, perspectivas de vida maravilhosa, e eu fico feliz por isso. Mesmo sem ter proporcionado nada disso a eles, ou seja, apesar de minha falta, de meus erros e minhas culpas, Deus os protegeu, os iluminou e lhes deu um destino não menos que formidável, é claro que terão que lutar suas próprias lutas, terão obstáculos a ultrapassar, como todo mundo, mas já sabem que a vida é difícil e que é preciso se preparar para enfrentá-la, e o estão fazendo. Eu apenas peço ao meu Deus que os proteja sempre, que os faça cometer o menor número de erros possíveis, e principalmente que não cometam erros como os meus, e fundamentalmente, sejam FELIZES.
Tudo que podemos querer nessa vida é sermos felizes, é tudo o que eu sempre quis pra mim, e ainda quero. Mas nos últimos anos tenho me acostumado a ser feliz, apenas por saber que eles estão felizes, que eles tem a proximidade dos avós e da mãe, a cuidá-los, a orientá-los, e a essas pessoas que eu não tenho nenhum relacionamento, eu quero aqui agradecer. A minha vida tem sido triste longe deles, mas essa tristeza é o preço dos meus erros, mas como tudo na vida, as compensações existem, e a felicidade deles compensa.
Eles moram em outro país, e essa distância geográfica aumentou as dificuldades, porém, a distância afetiva que nos separava diminuiu com a visita que fizeram nas férias desse ano, e me deixou profundamente feliz, como a tempos eu não ficava. As saudades agora, são maiores.
Ra e E, Deus os proteja, os ilumine, lhes oriente e mostre os caminhos do amor e da felicidade, que seus sonhos se realizem e que a vida seja como uma brisa fresca no verão, doce como bolo de chocolate, leve como uma pena, e alegre como aquela musica que faz vocês dançarem sem perceber.
Eu os amo!

Alnary Filho
12/10/2006

MITO FUNDADOR DO BRASIL - Marilena Chauí


MARILENA CHAUI


Relendo algumas obras, encontrei um livrinho fino da grande autora Marilena Chauí, onde ela faz uma profunda análise da construção ideológica da personalidade do povo brasileiro, quando da idéia de se comemorar os 500 anos da “descoberta do Brasil”. Mesmo já passados 6 anos, o texto se mantém atual e nos faz refletir a respeito de nós mesmos enquanto povo, nos mostra as nossas contradições e muito apropriadamente desmascara a idéia de que “as coisas são assim mesmo” ou “essa é a vontade de deus”, declara o nosso conformismo e a impotência de nossas indignações, corrompidas por essas mesmas idéias.
Abaixo tem apenas um fragmento, uma idéia geral, mas o bom mesmo seria que se lessem as 103 páginas de sua obra.

Alnary Rocha
18/01/2007

““É comum ouvir dizer que o Brasil é uma terra abençoada por Deus, com uma riqueza natural sem igual. Por outro lado, historicamente, os recursos do nosso território pouco beneficiaram a maioria da população, ficando os frutos de sua exploração na mão de poucos.
Costuma-se também elogiar o povo brasileiro pela sua simpatia e criatividade, assim como pela riqueza da nossa cultura popular, baseada na combinação de elementos brancos, negros e indígenas. Infelizmente, não podemos esquecer que o “encontro” destas três raças foi marcado pela exploração e pela violência, por meio do extermínio, da usurpação das terras nativas e da escravidão.
É bom que saibamos que o Brasil não estava “deitado eternamente em berço esplêndido” à espera de Cabral para ser “descoberto”. Sem dúvida, uma terra ainda não vista nem visitada estava aqui. Mas Brasil é uma invenção histórica e uma construção cultural. O Brasil foi instituído como colônia de Portugal e inventado como “terra abençoada por Deus”, à qual, se dermos crédito a Pero Vaz de Caminha, “Nosso Senhor não nos trouxe sem causa”.
A construção e o desenvolvimento dessa idéia, segundo Marilena Chauí, constitui o Mito Fundador do Brasil. Uma representação ideológica que serve aos interesses dos que mandam e sempre mandaram em nosso país. Uma idéia que permite, por exemplo, a alguém afirmar que os índios são ignorantes, os negros são indolentes, os nordestinos são atrasados, os portugueses são burros, as mulheres são naturalmente inferiores, mas, simultaneamente, declarar que se orgulha de ser brasileiro porque somos um povo sem preconceitos e uma nação nascida da mistura de raças. Alguém pode dizer-se indignado com a existência de crianças de rua, com as chacinas dessas crianças ou com o desperdício de terras não cultivadas e os massacres dos sem-terra, mas ao mesmo tempo, afirmar que se orgulha de ser brasileiro porque somos um povo pacífico, ordeiro e inimigo da violência. Em suma, essa representação permite que uma sociedade que tolera a existência de milhões de crianças sem infância e que, desde o seu surgimento, pratica o apartheid social possa ter de si mesma a imagem positiva de sua unidade fraterna.””

Enquanto realmente não tivermos uma consciência do que somos, sem os disfarces convenientes que mantém a realidade como está, não poderemos evoluir enquanto povo, como também ficaremos sempre a mercê de pseudos “salvadores da pátria”.



CHAUI, Marilena. Brasil: mito fundador e sociedade autoritária. Coleção História do Povo Brasileiro. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2000.

O AMOR - escrito próprio


AMOR

Como explicar o amor?
Não existe sentimento mais humano
O amor é tudo e pode ser o nada.
Mas essa seria uma explicação tão boa
Quando qualquer outra.

O amor se sente, não se explica.
A vontade de ver, de abraçar, de sentir o perfume,
A alegria de um telefonema, de ouvir a voz de quem
se ama, da felicidade de saber feliz o seu amor, as
lembranças dos grandes momentos enchendo o peito.

Um sonho bom, é sonhar com quem se ama, lembrar
de uma covinha no rosto lindo ao sorrir, o toque carinhoso
no rosto ao receber um afago, o jeitinho de andar, um
trejeito qualquer é sempre especial. O amor faz sonhar,
faz viver e querer repetir sempre essa sensação maravilhosa.

O amor é o combustível da vida, só com ele pode se alcançar
a felicidade. O amor não se pode tocar, apagar, destruir, não,
o amor te traz a vontade de viver, te enfraquece e da força ao
mesmo tempo. O amor simplesmente acontece, não se decide
amar, simplesmente se ama. O amor é um presente de Deus.

Alnary Rocha
Abril - 2007