sábado, 30 de agosto de 2008

SEM DÓ - Barão Vermelho



Eu sei que você viu na TV
O assassinato de crianças de rua
Mas será que você viu na TV
As manchetes dos jornais do dia
A moral de países irmãos
Que nos acusam de selvagens
Com suas competentes organizações?

Será que você viu na TV
Os nossos sonhos destruídos
Juros altos, vistos negados
Portas fechadas para a civilização
Que moral tem esses falsos irmãos
Que nos acusam de selvagens
Com suas competentes organizações?

Será que eles se preocupam com a gente?
Será que eles realmente se preocupam?
Julgar e condenar parece fácil
Será que eles realmente se preocupam?

Ou será que somos um espetáculo a mais
Nos seus telejornais
Um museu de horrores a confirmar
O seu lugar de civilizado, primeiro mundo?
Aquele que destrói sem deixar vestígio
Onde o único sinal é a riqueza cada vez maior

Não sei se você viu na TV
As consciências de perfume francês
Ou se ao mudar de canal assistiu
As imagens da guerra civil
No continente pai do humanismo
Pessoas também morrem todo dia
Assassinadas sem dó
Por credo, nacionalidade e cor

Roberto Frejat et ali...
CD Carne Crua – Barão Vermelho
1994

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

MIXFM - Mais lixo na radiofonia de PG? - publicado no Diário dos Campos, edição de domingo 17/08/2008 - seção "ensaio" pág. A4



Um Adeus a uma Rádio de Qualidade nos Campos Gerais

Estava muito bom pra continuar, que gente mais "Maria vai com as
outras". Quando começávamos a pensar que Ponta Grossa estava entrando
numa nova era, com shows de rock de nível mundial, as portas do show
do Scorpions, com a probabilidade de outras grandes bandas virem tocar
aqui. Acontece isso!

Nada disso! A lógica de uma estrutura questionável, no pior sentido,
pois só faz idiotizar as pessoas, que já tem uma péssima educação
pública, não lê coisa nenhuma, e tem como uma das únicas diversões as
emissões de rádio, perdeu mais uma vez.

Até agora, ou ouvintes do rádio em PG e Região tinham uma opção de
reconhecida qualidade técnica e musical, que não tocava apenas o velho
e bom rock'n roll, mas tinha espaço para a musica popular brasileira,
música de verdade, e não algumas dissonâncias que as "gloriosas"
rádios locais tocam, abduzindo o cérebro da adolescência (quase)
perdida, e não só a adolescência pobre, mas também a pobre de espírito
da adolescência abastada... dos carros "tunados" sem senso de
ridículo, verdadeiras penteadeiras, com aparelhagem de uma potência
que se pode ouvir em Castro (40 km distante), incomodando as pessoas e
os hospitais, e o pior, tocando coisas de uma questionável qualidade
(como funk, rap, melopagodes e sertanojos). Sem falar dos adultos de
todas as classes sociais, que escutam músicas pelo "aval" da Veja, e
assistem a "maravilhosa" e indefectível programação televisiva local.
Meu Deus!

Num contexto de tal nível, alguém poderia exigir moral ou princípio
ético da sociedade... que tenha ordem, espírito cidadão ou dignidade
humana? Com tanta música de qualidade (tanto de letra quanto de
composição) duvidosa, como falar em qualidade sonora? Quais os ícones
da geração, para quem se habitua a ouvir a referência da programação
musical das principais emissoras da Região? E, agora, entra para o
mesmo "clube", o dial da "falecida" Rádio Rock 94,7, Vila Velha FM.

O Rock é rebelde sim, suas origens estão nos filhos dos mineiros
explorados da Inglaterra, copiados pelos americanos, que, como sempre,
querem a gloria de tudo, salvo pelo Jazz e pelo Blues oriundos dos
escravos negros. Rock é muito mais que som, muito mais que moda, é
estilo de vida, é ideologia política! Assim como a grande e verdadeira
musica popular brasileira.

Nós estamos sem rádio em Ponta Grossa de novo! Sobram as notícias
(menos mau, escolha bem!) e as rádios de programação religiosa, outras
dopadoras de cérebros.
Mais uma vez, quem perde é o povo, e os sórdidos saem ganhando, essa é
a democracia, onde também tem de dar voz aos imbecis, aos
gananciosos, aos aproveitadores e as "vacas de presépio" que sempre
dizem "amém" a tudo.

Alnary Nunes Rocha Filho
Geógrafo, Mestrando em Ciências Sociais Aplicadas – UEPG.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

TALVEZ - escrito próprio


Talvez não seja a hora de...
Olharmos dentro de nós mesmos
e vermos que a vida é curta...passageira

Talvez as chances de sermos felizes sejam...
únicas e verdadeiras e que nossos castigos
venham porque as desprezamos...jogamos fora

Talvez joguemos fora por obstáculos que nós mesmos criamos,
não acreditamos nas nossas capacidades de concretizar sonhos,
não acreditamos que podemos e devemos sonhar...

Talvez tenhamos tido inúmeros sofrimentos para o nosso crescimento...
E nós tenhamos ganho esse amor que nos move, nos preenche e não se dissolve
Porque talvez, seja nosso prêmio por termos vivido os nossos dramas...

E talvez, não tenhamos nos dado conta disso
Talvez...
Mas talvez...
Não! Chega de talvez...o talvez faz parte, não há
certeza de nada...

Apenas do que sentimos, do que pulsa em nossos corações...a mania de
querermos a certeza concreta, quando na verdade, ela é abstrata,
subjetiva, e está dentro de nós...

Mas nossos cérebros racionais e complicados
querem dar ouvidos a razão...as vezes é bom...mas a
sensibilidade de nossos sentimentos sempre nos dão a direção
correta...

Nossos sentimentos são as únicas certezas...
A minha única certeza...

Alnary Rocha
01/12/2006

CONSTATAÇÃO - pretenso poema


É impossível não pensar em você!
Foi o que sempre eu fiz...
A maior parte do tempo um doce glacê

O que temos é inquebrável, descobri!
Amor, paixão, loucura, química, mágica...
É como ouvir o canto do colibri

Terremotos, palavras jogadas com eletricidade!
Mágoas e juras de esquecimento...bobagem
Basta um alô de saudade, pula o coração em velocidade

Fizemos força pra esquecer, quisemos nos esconder!
Saudade, o gosto do beijo, vontade...
Sentimos o irrefreável impulso do querer

Temos algo que poucos conseguem viver!
Alguma coisa inexplicável, além dessa vida...
Um amor, um calor, que jamais deixaremos morrer

Não é pretensão, tampouco é presunção!
É coisa de que se tem prova, se sente na alma...
É a constatação pura e simples do coração


Alnary Rocha
22/12/2006

CURTO CAMINHO - pretenso poema


Primeiro dia:

No silêncio da minha casa eu fico a esperar,
Esperar o toque do telefone, uma mensagem qualquer
E deixo o dia passar...
Tento respirar e fazer a vida valer
Não consigo parar de pensar

Segundo dia:

Na imensidão e solidão da minha cabeça
Escuto o fone tocar
Não era quem esperava, era alguém que se enganava
Eu estava contrariando o amor próprio a reclamar
Resolvi deixar meu pensamento vagar

E sem esperar...
Você notícias minhas queria
Não imaginava, nem o calor, nem o amor
Estava quase sepultado e que não mais viveria
A vida reserva surpresas e maravilhas e eu com a dor
Você pouco disse, mas o que disse me trouxe de novo alegria

Terceiro dia....em frente

Me vejo hoje a escrever novamente
O amor latente no coração e na mente
Você me trouxe de volta a vida e a esperança
Me deu todas as palavras, me fez virar criança
Homem maduro e ser permanente

Com você tenho coragem pra ir em frente
Teu amor me aquece a alma
Vejo as coisas que se foram por outra lente
Você me tira do eixo e ao mesmo tempo me acalma
Sonho com teus olhinhos e teu abraço quente
Te quero ver, te quero abraçar, quero beijar tua alma

Alnary Rocha
30/04/2006

segunda-feira, 14 de julho de 2008

O QUE VOCÊ QUERIA? - pretenso poema



Enquanto você olhava meu quarto...
Acomodava-se e diminuía as luzes...
Você queria o meu sangue e minhas lágrimas
O que você quer?
O que você queria de mim?

Eu tinha de falar até não poder mais...
Ficar dizendo coisas que você não acreditava...
Você era tão difícil de satisfazer...
O que você quer?
O que você queria de mim?

Pensava que eu sabia coisas que você não sabia...
Se eu não prometesse verdades...
Você ia embora...
O que você quer?
O que você queria de mim?

Que deveria eu fazer?
Continuar a loucura?
O prazer não bastava...
O que você quer?
O que você queria de mim?

Você não precisa de mim...
Você pode infernizar quem quiser...
Você caiu fora, enfim...
O que você quer?
O que você queria de mim?

Você se perdeu na sua loucura...
Quase me enlouqueceu também...
Aquilo não era amor...
O que você quer?
O que você queria de mim?


Alnary Rocha
12/07/2008

terça-feira, 8 de julho de 2008

O INFERNO É AQUI ! - texto próprio




Sinto muito dizer isso, mas realmente, é isso que está patente, porém, todos fingimos que está tudo bem, as loucuras, as monstruosidades são apenas notícias nos jornais e na televisão, telejornais e revistas eletrônicas, que esperam sempre a próxima tragédia para pautar nossa vida.
Explodem nas telas as indignações já esperadas do senso comum, mas, não suporto ver a cara pré-fabricada dos apresentadores do fantástico, dos demais telejornais e aquela cara ridícula do Faustão, tentando ser inteligente e porta-voz do povo, numa clara intenção de se mostrar diferente do que realmente é, um babaca, palhaço sem graça no picadeiro do Projac, com um vocabulário que não tem mais de meia dúzia de palavras: “dignidade, ôo loco, galera, pessoa humana...”

“Ás vezes eu penso... só uma bomba pode mesmo acabar...com todo esse lixo”

O inferno é aqui sim!
Uma vez um professor do meu curso de graduação, nos idos dos anos 1990, numa aula, disse para que tentássemos imaginar o Planeta sem o homem. Depois disse que a Terra seria perfeita, funcionando em harmonia, com os seres vivos nascendo, vivendo e morrendo, se transformando em nutrientes para que novos seres existissem, o ciclo da água, a atmosfera limpa, e principalmente, sem a violência gratuita e louca que só o ser humano produz. A natureza já é necessariamente violenta, a cadeia alimentar e a sobrevivência do mais forte, a existência das presas e dos predadores, mas mesmo assim em harmonia, sem matança gratuita, sem guerras, etc.
Porém, nunca atrocidades como a do índio Pataxó queimado vivo para diversão de boysinhos de Brasília, assassinato de garotinho de 7 anos por esmirilhamento no asfalto, menina de 12 anos vendendo o corpo, recém nascido jogado aos cães para ser devorado, espancamento por diversão de empregada doméstica por filhinhos de papai da Barra da Tijuca, filhos jogados de prédios pelos próprios pais, corrupção secular na política, fome, saúde pública em frangalhos, escolas públicas com qualidade de esgoto, desemprego, religiões contra a ciência que pode salvar vidas e enganando seus fieis por dinheiro, a alegria do futebol destruída por imbecis que vão aos jogos para se matarem e matarem inocentes, a indiferença da sociedade diante da miséria, dizendo sempre que “eles” tem de resolver, nunca se colocando como parte fundamental de tudo...enfim, o retrato do inferno.

“Acreditar que eu sei... nada vai mudar...a terra já está fedendo.”

Sim, senhoras e senhores, o inferno é aqui!
Só que não tem a forma de um lugar cheio de fogo, com uma figura mitológica de chifre e rabo com tridente na mão, não, quase não é possível identificar uma imagem, senão as fotos das bestas depois de presos, e aproveitem pra ver agora, pois muito em breve estarão soltos, ou a carrancuda fuça de um político, ou ainda o rosto miserável de uma criança de rua.
Graças as sucursais do inferno, que são os fóruns, os bancos e alguns órgãos públicos, onde deveria existir a prática da justiça, o acesso a plena cidadania, mas onde apenas há mais preconceito e violência, onde, por exemplo, um pobre trabalhador rural não pode ter sua demanda atendida por estar calçando chinelos de dedo.
É, esse inferno é real, e aqui fiz apenas um pequeno recorte, nem falei do crime organizado e do narcotráfico, recorte feito dentro da pauta esperada e divulgada pela mídia irresponsável, que permite que idiotas falem idiotices em “horário nobre”.
E não é?
O que um ator de novela pode falar desse inferno? Só por que faz um papelzinho medíocre num folhetim eletrônico, e ainda por cima conduzido por um retardado mental como o Faustão, que coloca autoridades no ar sem o tempo necessário para debater assuntos tão sérios e profundos como as violências acima citadas, e mais, ali não é o lugar e nem o momento para isso. Ou os telejornais com os tons fingidamente sérios de apresentadores, que mudam imediatamente de feição conforme a notícia, cara de pesar para notícia de desgraça e dois segundos depois, um largo sorriso para dar uma notícia fútil ou engraçada.
É essa a informação torta que o povo recebe, reverbera e ladra por curtos momentos, esquece, e novas desgraças surgem para o próximo debate de segundos.
Que merda de mundo é esse?

Mas como diz o restante da letra da musica “Bomba” de 1982 do Patrulha do Espaço:

“Mas va á luta...pra não dançar...”

Sim, estamos na luta, não fugimos, e uma das formas, é escrever aqui a minha real e verdadeira indignação com os fatos, com todos os fatos, principalmente com programinhas medíocres e massificantes como o do Faustão, que é um palhaço em verniz sofisticado pela vênus platinada, que jamais deveria tentar parecer intelectual, por que fica claro que ele não é, e não seria nem que se esforçasse muito, porém, continua distorcendo fatos e impregnando com seu ar fétido e falso as tardes de domingo na TV aberta.
E isso acontece enquanto um programa agudo como o CQC da Bandeirantes, que transforma a notícia em programa de humor, e mesmo com as reservas necessárias, acaba chamando a atenção e faz pensar, pondo em cheque algumas das ditas autoridades do País com perguntas desconcertantes e inteligentes, fica um tempo censurado e impedido de entrar no maior picadeiro brasileiro que é o Congresso Nacional. E mesmo que isso não seja o ideal, nem perto disso é claro, pelo menos traz a notícia de forma inteligível, decodificada, bem no formato que essa sociedade deformada pode entender.

Alnary Rocha
08/07/2008